quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Seguir os Dez Mandamentos não mata ninguém… (2 Coríntios 3:7) – Parte 2


Os oponentes à Lei de Deus apresentam um “quadro comparativo” entre o Antigo e o Novo Testamento para “provar” que “o mandamento do Sábado não foi repetido nos escritos dos apóstolos”.

Essa ideia não pode ser chamada de argumento, tamanho o absurdo que o cristão é levado a aceitar se ela for verdadeira:

1) Que o Novo Testamento difere do Antigo. Então a Bíblia não é uma só – seria uma heresia afirmar uma coisa dessas, de acordo com 2 Timóteo 3:16;

2) Que o Deus do Antigo Testamento, manifesto também na Segunda Pessoa da Divindade (Isaías 44:6; compare com Apocalipse 1:17) erra, no seguinte sentido: “bom: pedi para os Israelitas guardarem o Sábado. Como não deu certo, chamarei a Lei de ministério da morte e tirarei das pessoas a obrigação de me adorarem no meu santo dia (Isaías 58:13, 14; Marcos 2:27, 28).”

3) Que o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade, se contradiz. “Eu disse em Hebreus 8:10 que, o resultado da santificação efetuada por mim é a inscrição e impressão dos mandamentos no íntimo do ser humano. Já em 2 Coríntios 3:7 digo que a Lei que manda não matar, não roubar, não adulterar, é ministério de morte. Por isso, quem quiser aceite Hebreus 8:10 e, os que preferirem fiquem somente com 2 Coríntios 3:7.”

4) Que Jesus em João 5:39, ao nos orientar a examinarmos as Escrituras, estaria insinuando: “Leiam todo o Antigo Testamento mas não aceitam os Dez Mandamentos, mesmo que eu tenha guardado o Sábado, como afirma Lucas 4:16” [só faltava alguém dizer que “Jesus guardava o Sábado por que era judeu...” sendo que o texto afirma claramente que o Salvador separava o sétimo dia SEGUNDO O COSTUME DELE. Ele não veio agradar os judeus; pelo contrário, os desagradou bastante naquela época...]

5) Que os LINDOS princípios morais dos Dez Mandamentos – que nos ajudam a nos relacionarmos com Deus, com o próximo e que dão qualidade de vida – não são mais necessários em nosso mundo que quer viver sem princípios! Veja o que está por trás de cada um dos Dez Mandamentos encontrados em Êxodo 20:1-17 e em Deuteronômio 5:6-21:

Primeiro mandamento: Lealdade a Deus
Segundo mandamento: Adorar a Deus
Terceiro mandamento: Respeitar a Deus
Quarto mandamento [que a grande maioria não gosta]: Santidade e adoração ao Criador (Êxodo 20:11) e Salvador (Deuteronômio 5:15)
Quinto mandamento: Respeito pela autoridade
Sexto mandamento: Amor ao próximo
Sétimo mandamento: Pureza
Oitavo mandamento: Honestidade
Nono mandamento: Verdade, autenticidade
Décimo mandamento: Contentamento

Já imaginou tais princípios de vida sendo chamados de “ministério da morte”? Até que ponto um ser humano pode chegar…

[E ainda tem a questão do dízimo, querido leitor. Gostaria de saber de Jean Patrik se o mandamento do dízimo, pelo fato de “não ser repetido no Novo Testamento” também foi abolido...]

Isso já seria suficiente para concluirmos e encerrarmos a discussão, pois, se toda a Bíblia é da autoria do Espírito Santo, não há como separá-la em Antigo e Novo Testamento, a não ser com fins didáticos. Porém, como escreveu A. B. Christianini sobre um “quadro” que “mostra os outros nove mandamentos sendo repetidos “menos o quarto preceito”: “…aquele gráfico [é] omisso…” (CHRISTIANINI. Subtilezas do Erro, 1981, p. 187)e, por tal motivo, preciso continuar.

Na Bíblia há textos que mostram cerca de 90 reuniões religiosas no dia de Sábado, nos dias do Novo Testamento (Conferir A. B. Christianini em Subtilezas do Erro. Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1981, p. 186-189).

Lembremos de que o exemplo fala MUITO MAIS que as palavras… Se Cristo, os apóstolos e os demais judeus cristãos se reuniram no Sábado para adoração, será que eles guardavam o domingo ou acreditavam na abolição da Lei? Pense nisso com carinho.

O que outros autores cristãos dizem sobre a Lei e 2 Coríntios 3:7

Para finalizar, é importante expor para os sinceros a opinião de eminentes teólogos sobre o assunto:

SALOMÃO L. GINSBURG, pastor batista: “As idéias que alguns fazem da Lei de Deus, são errôneas e muitas vezes perniciosas. O arrojo ou a ousadia dos tais, chega a ponta de ensinar ou fazer sentir que a Lei já foi abolida… Os que ensinam a mentira de que a lei não possui mais valor … ainda não leram com certeza os versículos que nos servem de texto (S. Mat. 5:17-19). Deus não muda, nem o Seu poder, nem a Sua glória; os Seus preceitos são eternos.

“Vamos mais longe: essa Lei é a base da moralidade social, e será crível que tal base seja abolida, isto é, que se mate, adultere, furte, calunie? Não! Essa Lei é toda digna de nossa admiração, respeito e acatamento.

“Jesus veio pôr em prática a Lei e não abolir.” – O Decálogo ou os Dez Mandamentos, p.p. 4 e 7

WILLIAM BRACLAY, uma das maiores autoridades em Novo Testamento para os protestantes:

“A velha aliança era mortífera. Por quê? Produzia uma relação legal entre o homem e Deus. Com efeito, dizia: “Se você deseja manter sua relação com Deus, deve guardar estas leis, e se as transgride, perderá sua relação.”

“Portanto estabelecia uma situação em que Deus era essencialmente o juiz e o homem um delinqüente perpetuamente em falta perante o estrado do juízo de Deus. Era mortífera porque matava certas coisas… Os judeus preferiam a velha aliança, a lei. Rechaçavam a nova, a nova relação em Cristo. Não se trata de que a velha aliança fosse má; mas sim estava situada num lugar de segunda importância, era um degrau no caminho…” – The Second Letter to the Corinthians, p.p. 37, 38.

Seguir os Dez Mandamentos não mata ninguém… (2 Coríntios 3:7) – Parte 1


“… Concordo que “xeipoypafov” não tenha o significado de “lei”… Mas como traduzir ou interpretar 2 Coríntios 3:7, onde diz que “se o ministério de MORTE GRAVADO COM LETRAS EM PEDRA, tornou-se em glória, de forma que os filhos de Israel não podiam contemplar a face de Moisés por causa da glória do seu rosto, que já estava se acabando…”?

“Paulo chama de ministério de morte as letras gravadas em pedras, letras essas que só temos relatado no velho testamento, conhecido também como os 10 mandamentos, ou como você preferir lei moral.

“Sei que você não vai me responder mesmo, deixo essa para o senhor resolver.
Confesso que gostaria muito em ver o senhor responder tal pergunta.
Paz do Senhor Jesus, o nosso único descanso espiritual, independente de dia (Mt. 11.28-30).”
(Grifos acrescentados).

Esse é o desafio do internauta Jean Patrik. Primeiramente fico feliz em ver que o amigo entende que Colossenses 2:14 não se refere à Lei. Isso é indício de que estuda a Bíblia e busca a verdade.

A seguir, responderei conforme os tópicos que apresentou. Aguardarei suas considerações.

“COMO TRADUZIR 2 CORÍNTIOS 3:7?”

Mais que traduzido, o texto precisa ser corretamente interpretado.

Se a Lei de Deus é o “ministério da morte”, então o Criador é um assassino, pois, Ele nos pede obediência (João 14:15). Agora, se o ministério da morte for visto como a forma como a Lei era aplicada aí sim as coisas ficam fáceis de entender. Não devemos nos esquecer que no contexto da carta aos Coríntios “O propósito do apóstolo era refutar aos seus adversários judaizantes de Corinto [... 2 Coríntios 11:22] cujo ministério era da “letra” e não do “espírito”.” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 6, p. 847). Os judaizantes que questionavam o ministério de Paulo haviam pervertido a compreensão correta da Lei e, por isso, a forma como eles ministravam os ensinamentos de Deus se tornou um fardo.

Também é importante lembrarmos que Paulo destaca nesse verso uma das funções da Lei: mostrar que somos pecadores (ler Romanos 3:20). Ela é chamada de “ministério da morte” por que mostra a nossa condição pecaminosa e, ao mesmo tempo, nos condena à morte eterna como punição (Romanos 6:23; ler 2 Coríntios 3:9). Por cauã dos Dez Mandamentos sentimos a necessidade de um Salvador e consequentemente vamos a Ele para sermos salvos (por Ele).

Portanto, Paulo está argumentando o seguinte em 2 Coríntios 3:7: “A Lei não é o meio de salvação, assim como pensam os judaizantes. Ela mostra nossa condição miserável para recorrermos a Jesus. Ela não tem função salvífica. Precisa ser obedecida com a ajuda do Espírito Santo (verso 6) por que é Ele quem a escreve no coração do ser humano (Hebreus 8:10)”. Longe de ser o caminho da salvação (Efésios 2:8, 9) a Lei é o resultado de um coração transformado pela graça de Jesus (Efésios 2:10; Tito 3:7-8). Paulo não está abolindo a Lei (mesmo porque Jesus não deu autoridade para ser humano algum fazer isso – ver Mateus 5:17-19), mas, colocando-a no seu devido lugar. Se não fosse esse propósito do apóstolo, 1 Timóteo 1:8 perderia o sentido:

“Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo” 1 Timóteo 1:8.

A Lei de Deus existente em toda a Sua Palavra é considerada “santa, justa e boa” (Romanos 7:12). Não cremos que Paulo tivesse “dupla personalidade” ao ponto de afirmar que o mandamento “santo, justo e bom” seja “o ministério da morte” quando observado da maneira correta.

Por que ele afirmaria que a Lei é boa e pode ser seguida de forma legítima se a mesma não mais vigora depois da morte de Cristo? Analisem isso todos os sinceros filhos de Deus que acessam esse blog.

Paulo incentiva em suas cartas uma obediência interna, pelo Espírito (2 Coríntios 3:6). Afinal, não existe desobediência pelo Espírito em Romanos 8. Quem ler esse capítulo e continuar crendo na ideia horrorosa de que a Lei foi abolida, terá de dar contas a Deus, pois, mesmo obedecendo a Deus com a ajuda do Espírito Santo, o texto é claro em afirmar que, os que não estão em harmonia com a Lei de Deus, O desagradam:

“Porque as pessoas que vivem de acordo com a natureza humana têm a sua mente controlada por essa mesma natureza. Mas as que vivem de acordo com o Espírito de Deus têm a sua mente controlada pelo Espírito. As pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana acabarão morrendo espiritualmente; mas as que têm a mente controlada pelo Espírito de Deus terão a vida eterna e a paz. Por isso as pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana se tornam inimigas de Deus, pois não obedecem à lei de Deus e, de fato, não podem obedecer a ela. As pessoas que vivem de acordo com a sua natureza humana não podem agradar a Deus.” Romanos 8:5-8 (Nova Tradução Na Linguagem de Hoje)

Deixar de lado a Lei é “viver de acordo com a natureza humana” o que trará morte espiritual. Viver no Espírito é, pela graça de Deus, obedecê-Lo (lembrando que a santificação é um processo que leva a vida toda). Como a tese antinomista (de que a lei foi abolida) pode resistir a tal argumento do apóstolo Paulo?

Por que Paulo foi tão rigoroso com os Gálatas?

Na resposta a seguir espero que esse irmão entenda de verdade a teologia de Paulo sobre a graça e a Lei. E que pare de pensar numa graça barata, que não transforma o pecador.

Também deseo que ele aceite definitivamente que Paulo não foi contra a observância da Lei, pois ele mesmo guardava toda ela (Atos 25:8; Romanos 3:31; 7:22, etc). Ao escrever aos Gálatas o apóstolo estava é condenando um sistema de religião que coloca a lei no lugar de Jesus. Como ele bem disse: “Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo” 1 Timóteo 1:8.

Em breve postarei os comentários desse irmão. Ainda não o fiz porque pretendo postar as devidas respostas juntamente. Enquanto isso, peço que, com carinho, ele analise o contexto histórico da carta aos Gálatas para não relacionar os adventistas com eles.

Lembrei de uma coisa: A carta de Tiago parece não ter sido lida por esse internauta…

Vamos à análise da questão proposta no título:

Paulo foi firme com os Gálatas porque eles estavam negando a salvação pela fé em Jesus. Quando lemos o capítulo 3:1-4 da carta, percebemos que os irmãos daquela igreja estavam fazendo da Lei (os cinco livros de Moisés, com todas as instruções ao povo de Deus) o meio de Salvação no lugar de Cristo.:

Ó gálatas sem juízo! Quem foi que enfeitiçou vocês? Na minha pregação a vocês eu fiz uma descrição perfeita da morte de Jesus Cristo na cruz; por assim dizer, vocês viram Jesus na cruz. Respondam somente isto: vocês receberam o Espírito de Deus por terem feito o que a lei manda ou por terem ouvido a mensagem do evangelho e terem crido nela? Como é que vocês podem ter tão pouco juízo? Vocês começaram a sua vida cristã pelo poder do Espírito de Deus e agora querem ir até o fim pelas suas próprias forças? Será que as coisas pelas quais vocês passaram não serviram para nada? Não é possível!” (Nova Tradução Na Linguagem de Hoje – Grifos acrescentados).

Para afastar de vez essa ideia perigosa da igreja, Paulo mostra-lhes que o perdão (justificação) é apenas pela fé, graças ao sacrifício substitutivo realizado por Cristo na cruz.

A lei, na teologia bíblica (e de Paulo) não pode ser o meio de salvação de pecadores (Efésios 2:8, 9). Ela é sim o resultado de um coração transformado pela graça (ver Efésios 2:10). Afinal, quando nos tornamos novas criaturas (2 Coríntios 5:17) a Lei de Deus é escrita em nosso coração (Hebreus 8:10) para que vivamos em santo procedimento (2 Pedro 3:11) aguardando a volta gloriosa de Jesus a esse mundo (2 Pedro 3:10-13).

Por isso, a função da Lei não é salvar, mas, nos levar ao Salvador (por nos mostrar nossa condição pecaminosa – ler Romanos 3:20) e ser o resultado da transformação que o Espírito Santo produz no crente (Efésios 2:10) durante o processo de santificação (2 Tessalonicenses 2:13; 1 Pedro 1:2) – que é diária.

Também não deixa de ser uma evidência externa de nosso amor por Cristo: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” João 14:15.

Gostaria que os irmãos de todas as confissões religiosas comentassem esse post para, juntos, chegarmos a um consenso sobre a relação entre a graça e a Lei. As argumentações precisar ser apoiadas NA BÍBLIA. O que acham?

Ficarei no aguardo. Um grande abraço!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Deus mandou matar pessoas inocentes? 2 Samuel 21

É difícil entender a Bíblia. Por que os descendentes de Saul foram mortos sendo que eles nada tinham a ver com a maldade dele?

Realmente há na Bíblia textos mais difíceis de serem entendidos em sua plenitude. Isso não significa que a mensagem central não possa ser compreendida, mas apenas demonstra a nossa limitação humana para penetrarmos os segredos de Deus. Também devemos considerar o fato de o pensamento hebraico e sua forma de se expressar serem diferentes – o que contribui para que certos textos pareçam obscuros.

No caso de 2 Samuel 21 podemos entender algo sobre o capítulo se analisarmos o mandamento de Deus em Deuteronômio 24:16 onde Ele diz: “Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos, em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado.” Perceba que o próprio Deus havia ordenado que, ao executar um criminoso, o povo jamais castigasse os descendentes dele.

Então, por que o Senhor autorizou que sete descendentes de Saul fossem mortos por causa da atitude criminosa dele para com os Gibeonitas?

Na verdade, quando lemos o verso 3 percebemos que dessa vez Davi não consultou o Senhor com havia feito antes (v. 1), mas sim os Gibeonitas. E, motivados pela ira e, quem sabe, baseados no fato registrado em Números 25:4, eles tenham entendido que a ira de Deus seria aplacada se os descendentes de Saul fossem mortos e pendurados.

Quando o verso 14 afirma que “Depois disto, Deus se tornou favorável para com a terra” ele expressa a visão de mundo do profeta. O escritor de 2 Samuel percebeu que depois de tal evento a maldição cessou – sem que isso signifique que Deus tenha apoiado o ato de Davi e dos Gibeonitas.

Nosso Criador teria outra forma de vingar os Gibeonitas. Mas, como o povo agiu dessa vez sem consultar ao Eterno, Ele permitiu que tal ação pecaminosa e injusta seguisse seu curso normal, pois, faz parte de Sua soberania dar o livre-arbítrio. Ele permite que coisas ruins aconteçam por que no conflito entre o bem e o mal Ele utiliza tais circunstâncias (que Ele não gosta) para mostrar ao universo a gravidade do pecado.

Podemos ver que Deus não apresentou a Davi essa “solução” para o problema. Quem fez foi o povo que queria vingança. O Senhor não poderia ir contra ao que Ele mesmo havia ensinado em Deuteronômio 24:16.

Espero que essas considerações lhe tenham sido úteis. Creio que todos os motivos para Deus permitir tal ato (mesmo Ele não consentindo) nos serão apresentados apenas quando estivermos com Cristo em Sua Segunda Vinda. Enquanto aguardamos este momento maravilhoso podemos viver confiantes de que o “justo juiz” (Gn 18:25) esclarecerá essa e outras questões da vida que nos incomodam (1Co 13:12; Hb 8:11).

Deus lhe abençoe ricamente,

domingo, 24 de outubro de 2010

A palavra plural “vidas” reafirma a reencarnação?

Um espírita argumentou que a palavra “vida” no hebraico é plural e, por isso, a doutrina da reencarnação seria bíblica. Isso é verdade? Há outros argumentos mencionados por ele e gostaria que me ajudasse…

Introdução

Severino Celestino da Silva tem argumentado fortemente a favor do espiritismo sem considerar a opinião bíblica sobre a natureza humana. A seguir mencionarei alguns dos argumentos dele com as devidas respostas bíblicas para tais afirmações.

Você verá que a doutrina da reencarnação não é bíblica e, portanto, originou-se na mente de outro autor – aquele chamado “príncipe das trevas”, em quem não há verdade (Jo 8:44).

Inicialmente recomendo que todo espírita leia o livro “Por Que Não Sou Mais Espírita”, de Maurício Braga (Casa Publicadora Brasileira – www.cpb.com.br). Esse advogado foi professor kardecista e seu contato com a Bíblia o fez rejeitar definitivamente o espiritismo.

O amigo espírita também poderá acessar no blog do programa (www.novotempo.com/namiradaverdade) a série de nove estudos que preparei sobre o assunto. Basta digitar no campo “Busca” a palavra “espiritismo”.

As variantes nas traduções bíblicas

Em um programa de TV Silva citou as diferentes traduções para o Salmo 19:8, por exemplo, para provar que as versões da Bíblia não são “confiáveis”. Ele desconsiderou que a variação de uma tradução para a outra não necessariamente contradiz a ideia central do texto e, que uma mesma palavra pode ter significados sinônimos.

Qualquer pessoa pode saber que os tradutores não traduzem a Bíblia para se contradizerem ou mostrarem quem é o melhor. As várias traduções da Bíblia existem para nos mostrar que a mesma ideia contida no texto pode ser apresentada de diferentes palavras e/ou formas de linguagem.

Foram tantas as aberrações sugeridas por Severino Silva que alguém pode pensar que todos erraram e que só ele e um professor ou outro de hebraico sabem da verdade sobre a correta tradução bíblica…

Ele disse que tem 22 Bíblias traduzidas para o português, mas, não parece que tenha dedicado tempo em estudá-las de forma coerente como Jesus, que ensinou em Lucas 24:27, 44 a doutrina da ressurreição e não a reencarnação. Afinal, ele ressuscitou e não “reencarnou”. E isso deveria nos dizer muito sobre no que realmente os judeus acreditavam!

As “contradições” que Silva encontrou nas traduções bíblicas são o resultado dos pressupostos espíritas dele e não da verdade dos fatos.

A natureza humana

Ao tratar do assunto “vida após a morte” ele esbarra num fato primordial: o de que o Hebreu via a natureza humana como sendo holística. Textos como Gênesis 2:7, Salmo 6:5, 13:3, 115:17 e 1 Tessalonicenses 5:23 nos mostram que na visão veterotestamentária (e neotestamentária, no caso da primeira carta a Timóteo) não há espaço para a “imortalidade da alma” fora do corpo.

Consequentemente, os Hebreus – em momento algum – escreveriam sobre a reencarnação, doutrina estranha à Bíblia e a toda base filosófica holística sobre a qual ela se encontra.

Os hebraístas têm consenso quanto a isso. Não é uma ideia minha.

Isso em si derruba toda a tese de Silva. Ainda mais se levarmos em conta que Elias “não precisou ser reencarnado” para atingir uma plenitude espiritual, pelo fato de ele ter ido vivo para o Céu (2Rs 2:1-18).

A Bíblia nega que Elias tenha “reencarnado em João Batista” e nos leva a questionarmos a veracidade do espiritismo no seguinte ponto: se a reencarnação existe, por que apenas Enoque (Gn 5:24) Moisés (Jd 1:9) e Elias (2Rs 2:1-18) teriam ido para o Céu (e chegado a um alto nível espiritual) sem terem reencarnado como “os demais” seres humanos?

Silva terá de responder a essa questão e provar que a mentalidade hebraica fazia separação entre a “alma” e o corpo, se quiser que o espiritismo seja verdadeiro (espero que ele não cite Gn 35:18 e 1Rs 17:21, 22, pois, a palavra “alma” empregada não significa o que ele quer ela signifique)

Ele também precisará provar que todos os textos contra o espiritismo foram mal traduzidos (como, por exemplo, Lv 19:31; Dt 18:10-14).

A palavra “vida” no hebraico

O argumento de que “vida” no hebraico pode ser traduzida por “vidas” não apóia a doutrina da reencarnação, pois, como vimos, a compreensão hebraica sobre a natureza humana (holismo) não se harmoniza com a doutrina espírita.

Sobre a pluralidade do termo “vida”, assim se expressou o erudito Stanley M. Horton:

“… Comentários mais antigos aceitam o plural hebraico, “fôlego de vidas”, e entendem que se refere à vida animal e intelectual, ou à física e espiritual. A Bíblia revela, de fato, que o espírito do próprio homem provém de Deus e voltará para Ele (Eclesiastes 12.7; Lucas 23.46; ver também João 19.30 onde Jesus entregou seu espírito). Outros trechos também enfatizam que Deus é a origem da vida e que o seu Espírito a produz (Jó 27.3;33.4). Se Ele a retirasse, toda a vida chegaria ao fim (Jó 34.14,15). Mesmo assim, possuir “fôlego de vida” é atribuída a todos quantos morreram no Dilúvio (Gênesis 6.17;7.22), bem como a todos os animais que entraram na arca (Gênesis 7.15). Sendo assim, uma atitude mais lógica reconhece que o plural hebraico não fala aqui de tipos diferentes de vida.

“No Hebraico, o plural é freqüentemente usado para representar plenitude, ou algo que flui. (Água sempre está no plural em Hebraico). É usado, também, para alguma coisa que revela muitos aspectos ou expressões. (As palavras face e céu também estão sempre no plural em Hebraico). A atenção em Gênesis 2.7, portanto, não recai no tipo de vida tanto quanto na origem da vida. O “fôlego de vida” pode simplesmente significar o fôlego ou Espírito de Deus que produz a vida, que dá ao homem seu “fôlego vital” ou sua “faculdade da vida”…” (“O que a Bíblia Diz Sobre o Espírito Santo”. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1993, p. 12. Grifos acrescentados.)

Além disso, Hebreus 9:27 prova definitivamente que “vidas” no hebraico não se refere a diferentes tipos de vida. O judeu que escreveu o texto também compreendia a natureza humana como sendo um todo inseparável (holística) e, por isso, escreveu:

“E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”

O texto afirma que o ser humano morre apenas uma vez (há casos especiais como o de Apocalipse 1:7). Se morre “uma vez”, não pode vir a reencarnar e ter “vidas”.

Conclusão

Como cristãos preferimos aceitar a tradução de Isaías 8:19, 20 que nos mostra ser o espiritismo (veja: não o espírita) obra do engano:

“Quando disserem a vocês: “Procurem um médium ou alguém que consulte os espíritos e murmure encanta­mentos, pois todos recorrem a seus deuses e aos mortos em favor dos vivos”, respondam: “À lei e aos mandamentos!” Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!” (Nova Versão Internacional).

Esse texto deixa clara a existência de uma tensão entre a Bíblia e o espiritismo. Sendo que duas coisas contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, a razão nos diz que devemos aceitar um (a Bíblia) e rejeitar o outro (o espiritismo).

Com isso finalizo tal exposição deixando a Silva a responsabilidade de “provar” que, filosoficamente, duas coisas opostas são verdadeiras.

[Postarei esta resposta no blog para que outros tenham acesso a ela. Obrigado por me escrever!]

Um abraço

Adventistas: um “grupo aberrante”?

Ontem (28/09/2010), cinco dias após o nascimento de minha filhinha Yasmin, tive o privilégio de fazer parte de um momento marcante para o programa “Na Mira da Verdade”: a transmissão ao vivo durante 2h. Agradeço a todos vocês que acompanharam e deixo o meu abraço a você que lê este artigo!

Muitas perguntas me chamaram a atenção. Nossos irmãos de todas as denominações religiosas fizeram o programa acontecer – com cada pergunta… Uma melhor que a outra! Entretanto, o que mais me fez refletir foi aquela questão em que indagaram se a Igreja Adventista é ou não uma “seita”.

As acusações contra o adventismo são muitas. Poderia transcrever uma lista de “adjetivos” que são direcionados à fé adventista. Mas, para você ter uma ideia do que tem sido dito por aí, deixo-lhe a opinião de Norman Geisler e Ron Rhodes, apresentada no livro “Resposta às Seitas” (Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2008), p. 159. Ao falar de seitas que ensinam dietas alimentares e comemorações de festas religiosas, os autores não perderam tempo:

“Outros grupos aberrantes, como os Adventistas do Sétimo Dia, também acreditam que os cristãos ainda permanecem sob a lei mosaica”. (Grifos meus).

Há justificativa para tamanho preconceito? Pelo que estudamos ontem a respeito das 28 doutrinas fundamentais adventistas, a resposta é um NÃO. No momento em que Tito Rocha recebia as perguntas de nosso público, ele enquadrava-as em alguma de nossas doutrinas fundamentais. E, ao analisarmos cada uma delas, pôde-se perceber que, mesmo possuindo crenças distintivas (crença no dom profético dado a Ellen White, na doutrina do santuário e do juízo investigativo, bem como na reforma de saúde), os Adventistas do Sétimo Dia em seus seis grandes blocos de doutrinas demonstram ser praticamente iguais aos demais cristãos.

Ninguém é obrigado a gostar do adventismo. Mas se for um seguidor de Jesus, precisa gostar dos adventistas e crer como eles sobre os seis grandes blocos doutrinários que englobam suas 28 doutrinas. Quem ler o livro “Nisto Cremos” (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008) verá que a Doutrina de Deus, a Doutrina do Homem, a Doutrina da Salvação, a Doutrina da Igreja, a Doutrina da Vida Cristã e a Doutrina dos Últimos eventos (Escatologia) em essência estão em harmonia com o cristianismo ortodoxo, que preserva as doutrinas fundamentais das Escrituras.

Por isso, me pergunto: será que se alguém ler sobre as crenças adventistas no livro “Nisto Cremos” – ao invés de se ater a fontes secundárias escritas por gente que acha saber alguma coisa – não chegaria à conclusão que, no sentido pejorativo do termo (seita) os adventistas não se enquadram? Sinceramente, creio que quem nos acusa de sermos uma “seita” está “mais por fora que arco de barril”.

Gostaria de fazer um convite a você, amado (a) leitor. Procure ler o livros como “Nisto Cremos” e/ou “Questões Sobre Doutrina” (Casa, 2010) antes de formar uma opinião definitiva sobre os adventistas. Mantendo contato com nossa literatura oficial (fontes primárias) você terá uma surpresa agradável: saberá que os adventistas são filhos de Deus, que creem na salvação pela fé em Cristo (Ef 2:8, 9) e aceitam o poder transformador do Espírito Santo que atua no íntimo (Hb 8:10) para os colocar em harmonia com a vontade de Deus (Fp 2:10).

Como diz o amigo Tito: “não tenha preconceito”. Estude, analise e, com nossas crenças em mãos, questione seu líder religioso para que ele tenha a oportunidade de saber mais sobre o assunto. Vocês poderão não aceitar todas as doutrinas nais quais acreditamos, mas, com certeza aprenderão a respeitá-las. Isso fará com que o adventismo seja visto com bons olhos e, assim, cada um de nós, mesmo discordando em algums pontos, trabalhará unido pelo mesmo motivo: o avanço do reino de Deus.

Após a leitura de um dos livros indicados, gostaria que respondesse à seguinte pergunta: “em qual dos 6 grandes blocos doutrinários ensinados pelo adventismo se vê a característica de um movimento sectário?”. Aguardarei com respeito suas considerações e despeço-me com um texto bíblico que li ontem, para nossa reflexão:

“Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam seita, assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei e nos escritos dos profetas” (At 24:14)

Um abraço,

Quem são os Illuminati?

Algumas pessoas têm me contatado para obter informações sobre os Illuminati. A seguir, disponibilizo a resposta que dei a uma pessoa amiga.

Ótima leitura!

Resposta:

Você perguntou sobre os Illuminati. William Schnoebelen, ex-maçom, escreveu um livro intitulado “Maçonaria Por Trás da fechada de Luz” (Brasília: Propósito Eterno Editora, 2006) onde ele explica o significado da palavra Illuminat. Ele chama de “teóricos em conspirações” (p. 152) aquelas pessoas que afirmam ser esse grupo um “governo vasto e sombrio que busca dominar o mundo” (Ibidem). Ele está certo: há realmente aqueles que têm uma “síndrome de perseguição religiosa” e que “encontram” nas sociedades secretas pessoas “dispostas a persegui-las” por causa da fé. Isso é um exagero. Veja o que Schnoebelen escreveu sobre eles:

“O termo é o plural da palavra latim Illuminatus, que significa ‘o que é iluminado’. Desse modo, significa que uma pessoa recebeu por inteiro a iniciação que lhe foi oferecida pela maçonaria.

“Tecnicamente falando, um Illuminatus é um mestre maçom que recebeu toda ‘luz’ que a maçonaria pode conceder. Ele está além do 33º grau! (último grau de conhecimento na maçonaria) Tais pessoas são conhecidas como Mestres do Templo e são conhecidas coletivamente por outros nomes, além de os Illuminati.” (p.p. 152, 153).

Não devemos dar atenção ao grande número de artigos na Internet que mais se preocupam em alarmar do que instruir. Nossa preocupação não deve ser com algum ramo da maçonaria (mesmo que essa tenha um papel significativo no desenrolar da história) e sim em estarmos preparados para a Volta de Jesus (Ap 1:7) e não aceitarmos o sinal do poder representado pela besta de Apocalipse 13.

Se nos mantivermos fiéis a Deus nos últimos momentos da história, a graça de Cristo nos ajudará a sairmos vencedores na batalha entre o bem e o mal – mesmo que o diabo invista todo seu poder maligno para nos prejudicar. A comunhão com Cristo (Mt 11:28-30) e o conhecimento das profecias de Daniel e Apocalipse nos prepararão para enfrentarmos os acontecimentos que ocorrerão nos últimos dias: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia [do livro do Apocalipse] e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.” (Ap 1:3).

Por isso, recomendo que adquira os livros “Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel” e “Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse”, de C. Mervyn Maxwell, com a editora Casa Publicadora Brasileira. Poderá acessar o site www.cpb.com.br ou telefonar para 0800 979-0606.

Deus lhe abençoe ricamente,

O apóstolo Paulo batizou por aspersão? Atos 16:33

Alguns argumentam que o grande apóstolo batizou o carcereiro (At 16:33) por aspersão por que imaginam não ter tido água suficiente na prisão para batizá-lo por imersão. Teria Paulo mudado a forma de batismo estabelecida por Jesus?

Com certeza, não. Provébios 30:5, 6 afirma que o ser humano não tem autoridade para mudar algo que Deus estabeleceu. Além disso, não podemos imaginar qualquer apóstolo querendo “corrigir” a Cristo.

A palavra “batismo” que aparece em Atos 16:33 vem do termo grego baptizo e significa “mergulhar repentinamente”. Portanto, isso indica que no cárcere onde Paulo batizou o carcereiro (Atos 16:33) havia uma fonte ou uma cisterna (reservatório de água cavado na terra e forrado com pedras – comum em cárceres), onde facilmente se poderia realizar o batismo nas águas.

Paulo jamais iria mudar a forma de batismo apoiada por Jesus e praticada pelos Seus discípulos: a por imersão. Veja:

“Ora, João estava também batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo e era batizado.” João 3:23.

“E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.” Mateus 3:6.

Se o batismo bíblico fosse por aspersão, não haveria necessidade de João Batista batizar somente onde “havia… muitas águas” e dos discípulos batizarem “no rio Jordão”.

Deus recomenda que sejamos fiadores?

Se Davi pediu a Deus que fosse fiador dele; e Judá se ofereceu para ser fiador pela vida do irmão, por que não devemos fazer o mesmo?

“Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro e se te empenhaste ao estranho, estás enredado com o que dizem os teus lábios, estás preso com as palavras da tua boca. Agora, pois, faze isto, filho meu, e livra-te, pois caíste nas mãos do teu companheiro: vai, prostra-te e importuna o teu companheiro; não dês sono aos teus olhos, nem repouso às tuas pálpebras; livra-te, como a gazela, da mão do caçador e, como a ave, da mão do passarinheiro.” (Pv 6:1-5)

“Quem fica por fiador de outrem sofrerá males, mas o que foge de o ser estará seguro.” (Pv 11:15)

“O homem falto de entendimento compromete-se, ficando por fiador do seu próximo.” (Pv 17:18)

Os textos que mencionou não são instruções para sermos fiadores. No Salmo 119:122 Davi está pedindo que Deus seja o fiador dele para que os soberbos não o oprimam. Já no texto de Gênesis 43:9 a Bíblia apenas menciona Judá se oferecendo para ser responsável pela vida do irmão mais novo. É uma menção e não uma ordem.

Biblicamente, o único fiador que não nos compromete é Cristo: “Por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança.” (Hb 7:22)

Fique com Deus,

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

É pecado comer algo vendido em festas juninas?

O que a Bíblia tem a dizer sobre o uso de alimentos vendidos em festas juninas? Algumas pessoas têm me perguntado se comer algo vendido em um lugar festivo não seria “tomar parte na idolatria”, já que tal alimento é disponibilizado em um contexto idólatra. Vamos analisar o princípio bíblico de 1 Coríntios 8. Muitos que vão para o lado do extremismo deveriam ler com atenção este capítulo. Por isso, iremos analisá-lo em três partes:

Parte 1: “No que se refere às coisas sacrificadas a ídolos, reconhecemos que todos somos senhores do saber. O saber ensoberbece, mas o amor edifica. Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não aprendeu ainda como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele. No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo, de si mesmo, nada é no mundo e que não há senão um só Deus. Porque, ainda que há também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores, todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele.” (1Co 8:1-6)

Ao tratar dos alimentos sacrificados aos ídolos em templos pagãos, Paulo afirma no verso 4 que, o ídolo “de si mesmo, nada é” e que “há senão um só Deus”. Portanto, achar que o alimento oferecido a um ídolo irá “contaminar espiritualmente” uma pessoa é falta de fé no único Ser (Deus) que pode permitir que algo nos aconteça. Se os ídolos não são reais, não há motivos para se preocupar com eles.

Parte 2: “Entretanto, não há esse conhecimento em todos; porque alguns, por efeito da familiaridade até agora com o ídolo, ainda comem dessas coisas como a ele sacrificadas; e a consciência destes, por ser fraca, vem a contaminar-se. Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ganharemos, se comermos.” (1Co 8:7-8)

Mesmo que o comer um alimento oferecido a ídolo não influencie a vida espiritual, Paulo afirma que “não há esse conhecimento em todos”. Alguns, por terem tido familiaridade com a idolatria, ainda se sentem contaminados se comerem uma comida aparentemente “idólatra”. O apóstolo afirma que tais pessoas têm a consciência fraca e conclui: não é comida que nos recomendará a Deus. Por isso, nada iremos perder se não comermos e nada ganharemos se comermos. Portanto, o cristão é livre em Cristo para decidir.

Parte 3: “Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos. Porque, se alguém te vir a ti, que és dotado de saber, à mesa, em templo de ídolo, não será a consciência do que é fraco induzida a participar de comidas sacrificadas a ídolos? E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais. E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo.” (1Co 8:9-13)

Nesse ponto a Bíblia equilibra o assunto e agrada a “gregos e troianos”. Apesar de o cristão ser livre para comer ou não um alimento dedicado a um ídolo, não deve usar de sua liberdade para ferir a consciência dos “fracos”. Paulo também afirma que pecar contra a consciência dos irmãos é pecar contra Cristo.

Desse modo, se o comer um alimento vendido em uma festa junina irá escandalizar um “fraco”, o melhor é não comer.

Podemos ver que, na perspectiva bíblica, nada há de mal em comer, por exemplo, uma pipoca que foi vendida em uma festa junina (se você não fizer parte de uma festa onde há bebidas alcoólicas – ler Sl 1:1-2). Porém, se isso fizer com que um irmão se escandalize, é melhor fazer a pipoca em casa.

Levemos em conta que nas festas juninas não se costuma oferecer os produtos alimentícios aos “santos”. Todavia, siga a sua consciência, como orienta 1 Coríntios 8:1-13.

Em qual dos dois grupos de 1 Coríntios 8 você se enquadra? Nos dos fortes ou fracos na fé? Isso é o que menos importa. O mais importante é que sua opinião seja respeitada – e que você respeito a opinião dos outros.

Um abraço,

Leandro Quadros.

 
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